XX CONGRESSO BRASILEIRO DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA

XX CONGRESSO BRASILEIRO DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA

XX CONGRESSO BRASILEIRO DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA

Como estamos envelhecento: O individuo, A Sociedade e o Brasil?

8 a 11 de junho de 2016 – Fortaleza/CE

ATIVIDADE FÍSICA COMO MEIO DE SOCIALIZAÇÃO EM IDOSOS DEMENCIADOS INSTITUCIONALIZADOS

Déficits de memória são muito prevalentes em idosos e comprometem de forma importante a qualidade de vida, a socialização e a saúde física. O objetivo desse estudo foi avaliar a interação social e a participação de idosos demenciados institucionalizados. A amostra foi constituída por 30 idosos, residentes em uma ILPI,  8 do sexo masculino e 22 do sexo feminino, idade média de 87,5±5,1. O protocolo estabelecido foi de atividade física em grupo, por 52 semanas, quatro vezes por semana com duração de 30 minutos, todos os participantes eram cadeirantes, realizando exercícios com membros superiores, inferiores e abdômen, 3 séries de 10 repetições. Nenhum idoso foi excluído, sendo elucidado que o importante era a participação independente da realização completa, respeitando as limitações individuais.  Dos participantes, houve 7 óbitos e 3 transferências. Evidenciamos o envolvimento do grupo, sempre prontos para o início das atividades e mesmo questionando, tem ginástica hoje? Com o progresso do grupo foi possível instituir novos exercícios, bem como aumentar a velocidade e diminuir o tempo de descanso. A pratica com esse grupo demonstrou imenso envolvimento dos participantes, ora corrigindo seus pares, ora se divertindo entre eles, demonstrando a criação de um forte vínculo. Os dados obtidos neste estudo sugerem que a idade ou a demência não representa um obstáculo a pratica do exercício físico regular. A  participação em um programa de exercícios físicos sistematizado, pode ser visto como uma alternativa não medicamentosa para a melhora das funções musculoesqueléticas e principalmente para uma melhor interação entre idosos demenciados.

INTEGRAÇÃO ENTRE A EQUIPE INTERDISCIPLINAR E IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS ATRAVÉS DA MÚSICA

A musicoterapia é utilizada desde a antiguidade de diversas maneiras como medida preventiva, paliativa e terapêutica. A terapia pode ser ativa, quando o próprio idoso utiliza algum instrumento; ou passiva, quando outra pessoa utiliza-se da música para realizar o tratamento. Este estudo visa demonstrar os benefícios da musicoterapia em idosos dependentes. A amostra foi constituída por 35 indivíduos idosos institucionalizados, com idade média de 87,2 ± 8,9 anos, sendo 97% do sexo feminino. O estudo durou 15 meses, os idosos foram convidados a participarem, uma vez por semana por duas horas, o grupo foi composto por idosos dependentes na maioria cadeirantes, não excluindo nenhum participante, as músicas selecionadas foram: marchas de carnaval e músicas das décadas de 40 e 50; foram encorajados a iniciar e/ou solicitar qual música gostariam cantar, oferecíamos réplicas de instrumentos musicais motivando-os a participarem ativamente. As possibilidades comunicativas estimuladas no decorrer dos encontros oportunizaram a estas pessoas a realização de trocas sociais pautadas pela expressão de suas musicalidades, identidades e afetividades. Cada participante pode desfrutar do convívio da atividade produzida, vivenciando ritmos e sonoridades que lhes eram significativos, além da integração social. Os achados parecem indicar que atividades de música contribuem para fortalecer normas de solidariedade, podendo ser uma alternativa de investimento no bem estar de todos os participantes, além de possibilitar melhor qualidade de vida para o idoso.

UTILIZAÇÃO DA INTERNET NA APROXIMAÇÃO DE IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS E SEUS FAMILIARES

 

Na  sociedade  moderna, a  mídia digital ocupa  papel cada  vez  mais central  na  vida  das pessoas. Em paralelo, há o envelhecimento populacional e com isso o aumento da institucionalização, a configuração familiar sofreu alterações significativas, destacando a distância geográfica, gerando uma barreira física importante. Este estudo demonstra a importância da comunicação entre idosos institucionalizados e seus familiares através de e-mail e aplicativos de chamadas de vídeo e áudio.  Participaram desse estudo seis idosos, 4 do sexo feminino e 2 do sexo masculino, idade média de 83±3,56 anos, residentes em uma ILPI, foi estabelecido um dia por semana para o contato. Três idosos fizeram a comunicação com familiares em outros estados e/ou países através de e-mail e três através de aplicativos de chamadas de vídeo e áudio. Ficou evidente que o poder falar, ver a imagem em tempo real, acompanhar a rotina ou mesmo, receber fotos; foram motivo de alegria e tranquilidade, gerando a sensação de fazer parte do contexto familiar e até mesmo promovendo a reaproximação de relações desgastadas pela distância. O feedback foi positivo tanto em relação aos idosos que puderam compartilhar da vida dos filhos e netos, quanto dos familiares que puderam sentir-se perto de seus pais e avós. Notamos também a troca de diálogos e mensagens que não seriam feitos pessoalmente, estabelecendo ou mesmo resgatando o vínculo emocional. Concluímos que a internet é uma ferramenta extremamente útil no contato de idosos institucionalizados e familiares distantes, devendo ser mais explorada e incentivada.

 

PREVALÊNCIA DE DISBIOSE EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS

O desequilíbrio na flora intestinal, descrito como disbiose é comum em idosos devido ao grande número de medicamentos, dieta, estilo de vida e suas comorbidades. Esse estudo teve como objetivo identificar a prevalência de disbiose em idosos institucionalizados. Foram avaliados 44 idosos dependentes e institucionalizados, com idade média de 87,5±5,1; sendo 86% do sexo feminino e 14% do sexo masculino. Para avaliação foi aplicado o Inquérito Nacional de Disbiose (INDIS, 2014); que avalia a condição clínica, os sintomas gastrointestinais, uso de medicamentos, estilo de vida, dieta e suplementação. Os resultados da pontuação foram classificados como: baixo, médio, alto e muito alto risco de disbiose. De acordo com os sintomas gastrointestinais, 4 (17%) apresentaram diarréia e 20 (83%) constipação intestinal; Os participantes desse estudo faziam uso desses medicamentos:  27 (64%)  protetor gástrico, 8 (18%) laxante, 5 (12%) diuréticos e 2 (5%) antibióticos; com relação a dieta: 11 (25%) consumiam uma dieta rica em fibras, 13 (29%) com uso simbióticos. Na escala de estratificação do INDIS, identificamos 9 (20,5%) com médio risco de disbiose e 35 (79,5%)  com alto risco de disbiose. A constipação intestinal e o uso de medicamentos aumentou o risco de disbiose. Identificar os fatores que alteram a composição da microbiota intestinal auxiliam na intervenção nutricional mais adequada e sendo assim para prevenção de proliferação de bactérias patogênicas e mantendo uma microbiota saudável.

 

 

 

COMPOSIÇÃO CORPORAL POR BIOIMPEDÂNCIA E ANTROPOMETRIA DE IDOSOS LONGEVOS

 

O objetivo foi avaliar a composição corporal pelos métodos da bioimpedância e antropometria. Amostra contou com longevos avaliados por antropometria e bioimpedância (BIA). As variáveis de massa magra foram identificadas a partir de equações preditivas de Kyle, Dey e Valencia. Para sensibilidade e especificidade dos resultados do índice de massa magra (IMM) por BIA em relação às fórmulas e aos resultados de percentual de gordura corporal (%GC) em relação à prega cutânea triciptal (PCT) e à circunferência de cintura (CC), foram utilizadas as curvas ROC. Amostra, 221 idosos (72 homens e 149 mulheres), idade entre 80 e 97 anos. Valores médios da CC não foram diferentes entre os homens (95,3cm ±11,0) e as mulheres (90,9cm ±10,8) p=0,007. Do mesmo modo, o IMC, circunferência de panturrilha (CP), e circunferência muscular de braço (CMB), além do peso da gordura corporal. A PCT e o peso da massa magra (PMM) apresentaram diferenças entre os gêneros, a PMM em mulheres de 37,0kg ±6,6, e em homens de 45,0kg ±10,4 p<0,001. Observamos que a CC, o IGC e o %GC elevados em todos os gêneros, exceto mulheres com baixo peso e eutrofia. A média do índice de massa magra foi baixa nas mulheres com diagnóstico nutricional de baixo peso. Comparando PMM por BIA pelas fórmulas, o resultado próximo a BIA obtido pela fórmula Dey, para mulheres eutróficas. Para identificar a obesidade e a obesidade sarcopênica, mesmo naqueles indivíduos que apresentam IMC normal, precisamos combinar diferentes métodos de avaliação e considerar as diferenças entre os gêneros.

 

COMPARAÇÃO ENTRE OS MÉTODOS DE BIOIMPEDANCIA E ANTROPOMETRIA EM IDOSOS LONGEVOS.

 

O objetivo desse estudo foi correlacionar a composição corporal por bioimpedância com as medidas antropométricas em idosos longevos. Participaram 221 idosos independentes, idade média de 85,3 ± 4,3 anos, entre 2010 a 2014. Foram avaliados: IMC, prega cutânea tricipital (PCT), circunferência da cintura no ponto médio (CC), circunferência muscular do braço (CMB) e circunferência da panturrilha (CP) composição corporal e bioimpedância. O estado nutricional foi avaliado pelos critérios da OPAS. De acordo com o IMC, 44 idosos apresentaram baixo peso; 103 eutrofia; 33 sobrepeso; e 41, obesidade. Os valores médios da CC, IMC, CP, CMB e peso da gordura corporal não obtiveram diferenças significantes entre os gêneros. Porém, a PCT e peso da massa magra (PMM) apresentaram diferenças entre os gêneros; PCT em mulheres 18,6±5,7 e em homens 15,4±5,7 p<0,001; PMM em mulheres 37,0±6,6 e em homens 45,0±10,4 p < 0,001. Houve uma forte correlação entre a gordura corporal e o IMC entre as mulheres (r= 0,88 p < 0,001) e homens (r= 0,78 p < 0,001); CC em mulheres (r = 0,76 p < 0,001) e também em homens (r = 0,79 p < 0,001), enquanto a CP apresentou uma correlação mais forte com a massa magra em mulheres (r = 0,72 p < 0,001). Nessa população de longevos independentes, o IMC e a CC se mostraram adequadas para avaliar o peso de gordura corporal, CP mostrou correlação com o peso da massa magra. Nossos dados corroboraram com a literatura que descrevem estes achados para outras faixas etárias.