Quando parar de dirigir, trabalhar e morar sozinho?

Quando parar de dirigir, trabalhar e morar sozinho?

O processo de desenvolvimento do ser humano passa por algumas fases até chegar à velhice, que se manifesta gradualmente, com alterações que ocorrem nos aspectos biopsicossociais, não tendo um marco etário exato para que se determine a transição para essa fase.

A partir de um viés fisiológico, no envelhecimento surgem modificações estruturais e funcionais em todas as pessoas que são comuns nesta fase. Porém, há necessidade de considerar que esse processo é multifatorial, o que significa levar em conta que fatores psicológicos e sociais atuam sobre uma base genética. Algumas alterações podem privar o idoso de sua independência e conseqüentemente da qualidade de vida.

Quando o idoso passa a apresentar um prejuízo de sua capacidade funcional – habilidade de desempenhar tarefas do dia-a-dia, incluindo aspectos físicos, psicológicos e sociais – percebe-se maior risco para si mesmo e, em alguns casos, para terceiros, sendo necessária orientação e auxilio ao idoso. Dependendo do grau do prejuízo apresentado e dos riscos consequentes, morar sozinho e realizar, sem auxilio, as atividades de vida diária (relacionadas ao autocuidado e sobrevivência) passam a ser um fator de preocupação familiar e governamental, sendo necessário o suporte familiar como, por exemplo, o idoso residir com algum parente ou terceirizar o cuidado deste.

Além da perda da capacidade funcional, há outros fatores que justificam a aproximação de um cuidador, familiar ou terceirizado, como, por exemplo, problemas econômicos, problemas de saúde, no que diz respeito às doenças crônicas, limitações cognitivas e físicas que comprometem a execução de atividades de vida diária e a escolha pessoal do idoso.

Deve-se prestar atenção aos sinais apresentados pelo idoso, no entanto, é preciso sempre respeitar sua autonomia, quando preservada, pois ao entrar em contato com suas limitações cognitivas e funcionais, assim como perceber uma possível intervenção de terceiros em assuntos que antes eram de sua total responsabilidade podem vir a gerar um sofrimento psicossocial que em alguns casos pode se evidenciar como um transtorno depressivo.

Ao familiar, o momento de tomar decisões acerca da vida do idoso por qual se é responsável é delicado, pois se for feito de maneira abrupta (não se respeitando o tempo de adaptação do idoso a nova realidade) e não colaborativa (não consultando o idoso acerca dos seus desejos e anseios), esse momento tende a ser de maior dificuldade à uma adaptação, podendo gerar sofrimento.

Sinais que é hora de parar:

Quando parar de dirigir

– Habilidades de visão, reflexos e audição diminuídos

– Doenças como catarata e doença de Parkinson

– Tonturas e dificuldades para virar a cabeça bruscamente

– Uso de remédios que provocam sonolência e/ou diminuem os reflexos

– Excessiva distração

 Quando parar de trabalhar

– Prejuízo no seu estado cognitivo e funcional

– Dificuldade em desenvolver o que lhe é solicitado

– Cansaço excessivo

– Perda da capacidade de concentração

Quando parar de morar sozinho

– Acidentes recentes ou quedas

– Prejuízo na funcionalidade

– A piora de uma condição crônica

– Nutrição prejudicada

– Sujeira acumulada e/ou falta de higiene pessoal

– Dificuldade em administrar medicação e manuseio de dinheiro

Beatriz de Campos Mello Monteiro – Psicóloga

Vyvyanne Pazzini – Gerontóloga