Mitos do Envelhecimento

Mitos do Envelhecimento

O processo de envelhecimento é caracterizado por mudanças progressivas na reserva funcional de órgãos e sistemas. Não é um processo homogêneo, mas sim influenciado por diversos fatores como genética, estilo de vida e exposição ambiental. Um estudo dinamarquês descobriu que a genética representava cerca de 25% da variação na longevidade entre gêmeos e os fatores ambientais representavam cerca de 50%.

Muitas ideias preconcebidas e difundidas sobre o envelhecimento não são verdadeiras. Existem alguns mitos difundidos sobre o envelhecimento que devem ser esclarecidos e desmistificados. Alguns deles discutiremos nesse artigo.

  • A demência faz parte do envelhecimento normal.

Com o avançar da idade, há diminuição na capacidade de se concentrar em uma tarefa e capacidade de executar várias tarefas ao mesmo tempo. Assim como o processamento e o aprendizado de novas informações também apresentam um declínio com a idade. Porém, apesar de tais mudanças, no envelhecimento cognitivo normal, o indivíduo continua capaz de funcionar na sociedade, no local de trabalho e em casa. As síndromes demenciais devem ser vistas como um problema de saúde, caracterizadas por um declínio cognitivo persistente que interfere no desempenho profissional ou social do indivíduo.

  • Declínio funcional e a perda da independência são consequências inevitáveis do envelhecimento.

O processo de envelhecimento não vem acompanhado invariavelmente de perda funcional e dependência. O conhecimento e a adoção de medidas preventivas reduz comprovadamente o risco de determinados agravos à saúde, evitando o aparecimento de algumas doenças ou auxiliando no diagnóstico precoce de tais alterações, permitindo assim, o tratamento adequado e a prevenção ou redução de complicações. Dessa forma, possibilita manter a capacidade funcional, aumentar a expectativa de vida e garantir a qualidade de vida na população idosa.

  • A dor no envelhecimento é inevitável

Com o envelhecimento ocorre um aumento da prevalência de doenças crônicas e degenerativas e muitos desses quadros são acompanhados de dor. Como por exemplo, a osteoartrite que é a doença articular mais prevalente entre os idosos e constitui a principal causa de dor. Porém, medidas preventivas e mudanças no estilo de vida desde a juventude podem minimizar o efeito do tempo sobre a cartilagem. E nos pacientes idosos, a dor não deve ser considerada como algo normal do envelhecimento, mas sim como uma condição que pode ser tratada e aliviada com tratamento medicamentoso, fisioterapia, acupuntura, entre outras medidasl.

  • Envelhecer é triste e a depressão é normal e inevitável

A depressão não é uma consequência normal do envelhecimento. E o processo de envelhecer não é necessariamente triste, mas sim mais uma etapa da vida com suas dificuldades e alegrias. A ocorrência de tristeza e luto são respostas normais a eventos da vida, como aposentadoria, perda do rendimento, percepção da transição de uma vida independente para uma vida de maior necessidade de auxílio de terceiros, por perda da função física, social ou cognitiva. Porém, a depressão é uma doença que requer tratamento e acompanhamento médico e psicológico em longo prazo, sendo, portanto, uma condição tratável.

  • É tarde demais começar atividade física após os 60 anos

A capacidade aeróbica, massa muscular e força muscular diminuem com a idade. Assim, é essencial incentivar a atividade física na população idosa. Identifica-se benefício a partir do início da prática de exercício físico, independentemente da idade ou funcionalidade. A atividade física beneficia pessoas de todas as idades e pode diminuir todas as causas de morbidade e aumentar o tempo de vida, além de estar associado a uma maior probabilidade de envelhecimento saudável. O programa ideal inclui exercícios aeróbicos, de fortalecimento muscular, equilíbrio e mobilidade.

Envelhecer faz parte da vida e não deve ser um período de dificuldades, tristeza e recolhimento. Mas sim, uma fase de novas realidades e adaptações, que requerem o auxílio da família, amigos e profissionais especializados.

 

Dra. Lessandra Chinaglia