Insônia no idoso

Insônia no idoso

Algumas alterações no padrão do sono fazem parte do processo natural e fisiológico do envelhecimento, ou seja, nem todas as queixas relacionadas ao sono são patológicas. A dificuldade para dormir é uma queixa comum entre os idosos e muitas vezes gera angústia e ansiedade.

O adulto dorme em média seis a oito horas. Já o idoso dorme em torno de 6 horas por noite. Seu sono normalmente é mais superficial, há mais despertares durante a noite e perda dos níveis mais profundos do sono, que é então redistribuído nas 24 horas do dia com a ocorrência de cochilos diurnos.

Insônia é definida como a dificuldade para iniciar ou manter o sono ou o relato de um sono não reparador. Caracteriza-se por diminuição total ou parcial da quantidade ou qualidade do sono. Atinge 20% da população acima dos 80 anos de idade. As principais causas são: distúrbios clínicos e psiquiátricos, distúrbios primários do sono, problemas comportamentais, drogas e fatores ambientais.

Para o tratamento da insônia, medidas não farmacológicas e comportamentais devem ser priorizadas e constituem a primeira escolha no manejo da insônia, como por exemplo, não ingerir bebidas alcoólicas ou que contenham estimulantes ou cafeína (chá preto, café) após o anoitecer ou imediatamente antes de deitar; o quarto de dormir deve ser silencioso, escuro e com temperatura agradável; é importante estabelecer, se possível, um horário uniforme para deitar e levantar; não realizar exercícios físicos intensos imediatamente antes de deitar; evitar o uso do tabaco após o anoitecer; evitar músicas muito agitadas próximas ao horário de dormir; evitar o uso crônico de medicações para a insônia; minimizar os cochilos diurnos. O idoso deve ir para a cama apenas quando estiver sonolento e deve permanecer deitado apenas durante o tempo em que esteja realmente com sono.

As intervenções farmacológicas são utilizadas quando o idoso não responde às medidas não farmacológicas e comportamentais. Várias classes de medicamentos podem ser utilizadas no tratamento e serão escolhidas pelo médico de acordo com as necessidades de cada paciente, sempre respeitando sua individualidade.

Elaine Cristina Biffi Alonso Vera

Médica Geriatra

Mestre em Gerontologia