Esclerose não é Demência

Esclerose não é Demência

O aumento da expectativa de vida da população acarretou uma série de mudanças para as gerações de idosos nas últimas décadas. Aumento no tempo e qualidade de vida por um lado, porém uma maior exposição a uma série de doenças associadas ao envelhecimento por outro. E quando se trata de doenças relacionadas ao envelhecimento, os quadros demenciais assumem uma grande importância.

O termo demência é empregado para definir uma doença neurológica, irreversível e progressiva, que se caracteriza por um conjunto de sintomas associados à perda cognitiva, ou seja, à perda da memória e/ou de outras funções mentais, que permitem que o indivíduo desempenhe seu autocuidado e se relacione com o mundo, através da linguagem, capacidade de planejamento e execução de tarefas.

Ao longo do tempo, alguns termos foram empregados para denominar esses quadros. A palavra esclerose, já muito utilizada como sinônimo de demência, tem origem grega e significa “endurecimento”. Esse conceito de endurecimento se relacionaria ao enrijecimento das artérias cerebrais, com consequente comprometimento do fluxo sanguíneo cerebral, atrofia cortical e perda de memória. O emprego desse termo se mostra inadequado, uma vez que assumiu um sentido pejorativo e que, na maioria das vezes, não se correlaciona com o que ocorre nos quadros demenciais. Com exceção das demências vasculares, nos demais casos não há comprometimento de fluxo sanguíneo

Outra expressão erroneamente utilizada é “demência senil”. Ela transmite a impressão de que a ocorrência de perda cognitiva associada ao avançar da idade seria normal. Nesse sentido é importante salientar que perdas cognitivas que provoquem prejuízo na vida do idoso não podem ser consideradas normais em quaisquer idades e que, portanto, esse termo também é inadequado.

Assim sendo, os melhores termos a serem utilizados para se referir aos quadros de perdas cognitivas significativas o suficiente para prejudicar a funcionalidade de um paciente são demência ou síndrome demencial.

Dra. Silvia T. Ribeiro e Prado