Breve histórico de Instituição de Longa Permanência no mundo

Breve histórico de Instituição de Longa Permanência no mundo

No mundo inteiro é cada vez maior o número de idosos, gerando novos desafios quando o assunto é sobre envelhecimento. Abre-se uma complexa discussão com relação ao melhor local para o idoso morar. Em sua casa ou em uma instituição de Longa Permanência (ILPI)?

A primeira ILPI, chamada de “Gerontocômio” foi fundada pelo Papa Pelágio II (520-590). Na ocasião, transformou sua casa em um hospital para idosos. Na Idade Média, esses locais passaram a ser chamados de “almshouses”(alms–caridade). Essas casas tinham como objetivo abrigar idosos desamparados e necessitados. Sua essência era ligada a caridade, por esse motivo recebiam doações deixadas por heranças. A partir dos séculos XIV e XV na Alemanha, Holanda e Itália as instituições de caridade aumentaram com o intuito de cuidar de idosos pobres além de outros grupos sociais: mendigos, órfãos, loucos.

No século XVIII, com o Iluminismo, as instituições começaram a perceber a necessidade de dividir os indivíduos e não agrupá-los em um único grupo. As crianças foram direcionadas a orfanatos, doentes mentais para hospício e idosos em asilo. Com esse direcionamento especifico, foi na Holanda que surgiu o primeiro modelo chamado de “Hoffie”, uma residência coletiva de idosos, localizada em geral em torno de praças ou lago.

No Brasil, por influência dos colonizadores ingleses, o modelo de “almshouses” foi copiado. A primeira instituição foi uma chácara com o objetivo de abrigar soldados idosos, inaugurada no Rio de Janeiro em 1797. Em 1890, também no Rio de Janeiro, foi inaugurado um dos primeiros asilos voltados para idosos. A instituição trabalhava para que os idosos fossem reconhecidos como grupo e que tivessem suas demandas específicas atendidas.

O caráter filantrópico também começou a se modificar já que algumas alas destinavam-se aos que podiam pagar uma mensalidade. Dados da literatura mencionam a participação intensa de associação religiosa, filantrópica e de imigrantes na formação de instituição para idosos.

Para tentar expressar a nova função híbrida dessas instituições, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia sugeriu a adoção da denominação Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI).

Segundo a ANVISA, as ILPIs são instituições governamentais ou não-governamentais, de caráter residencial, destinadas a domicílio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade, dignidade e cidadania.

Em 2005 passa a vigorar a Resolução da Diretoria Colegiada, RDC nº 283. A mesma estabelece normas para o funcionamento das instituições. Define quais são os graus de dependência e as condições gerais de organização institucional baseada nos direitos dos idosos, incluindo recursos humanos, infraestrutura, processos operacionais, notificação compulsória, monitoramento e avaliação. Essas normas auxiliam os indivíduos para que sigam diretrizes em busca da homogeneização da qualidade ao invés de seguirem padrões de caridade e assistencialismo.

Por fim, o padrão de qualidade no atendimento institucional deve se pautar na valorização da história do idoso, no respeito à sua individualidade, autonomia e privacidade, na preservação dos vínculos e na participação na comunidade. A assistência religiosa deve ser oferecida de acordo com a crença para aqueles que desejarem.

Atualmente, os Residenciais para Idosos prometem ser um conceito cada vez mais comum e popular de assistência de qualidade. Os modelos atuais  que englobam casas de repouso, clínicas geriátricas e condomínios residenciais oferecem uma infraestrutura completa para garantir acolhimento, segurança, bem-estar e qualidade de vida para os idosos de sua família.

 

 

Roberta C. Seriacopi Neumann (Psicóloga)

Vvyyanne Pazzini (Gerontóloga)